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8.7.10

Onde será que ele se esconde?


Imagem da net


Tem um homenzinho
de chapeuzinho
dentro desta máquina de escrever.
Vive chateando
e me atrapalhando
não tem mais o que fazer.

Morava há um ano
dentro de um piano
mas foi corrido do local.
Em meio ao Chopin
aparecia e, pã:
pedia: "alguma coisa da Gal".

E este mal elemento
este pequeno jumento
está dentro desta máquina.
Me deixa tonto
troco vírgula com ponto
e quase escrevi "mânica".

Hei de encontrar
e decapitar
esse ser alucinante.
Só não sei onde
Sob que tecla se esconde
será vogal ou consoante?

Já bati no - travessão
asterisco e cifrão
mas não acerto o seu ninho.
Continua a chatear
e me fazer errar
esse ¢?¢&!º+& homenzinho!

Uma boa teclada
uma única letrada
o fará silenciar de vez.
Mas em vão neste poema,
incluindo o "u" com trema
usei todas do português.

Por Deus! Por Bernadette!
Por IBM e Olivetti
Mas o homem é um Al Capone...
Deve estar
tem que estar
sob o dáblio ou ipsilone!

Descobri a sua jogada
e aí vai cacetada
me perdoem se esqueço a rima.
É que neste instante
o mais importante
é fulminar o chato de cima.

Tome ysto e mais ysto
Wwwwwwwwwwwww
YYYYYYYYYYYYY
Wwwwwwwwwwwww
YYYYYYYYYYYYY
e, finalmente, WWWYYYWWWW

Luis Fernando Verissimo




7.7.10

Poema egalitário

(imagem) Com o Rei na Barriga de Ricardo Passo


Só quem pode dizer sem briga
Que tem o rei na barriga
É a rainha-mãe, gestante.
(E ainda pode ser guria
ou derrubarem a monarquia!)
Somos todos iguais
Pobres-ou ricos-mortais
Seja pedreiro ou almirante.
E embora alguns achem que têm
Não existe por-de-sol
No céu da boca de ninguém.

Luis Fernando Verissimo