Quem me compra um jardim com flores? borboletas de muitas cores, lavadeiras e passarinhos, ovos verdes e azuis nos ninhos? Quem me compra este caracol? Quem me compra um raio de sol? Um lagarto entre o muro e a hera, uma estátua da Primavera? Quem me compra este formigueiro? E este sapo, que é jardineiro? E a cigarra e a sua canção? E o grilinho dentro do chão? (Este é o meu leilão!) Cecília Meireles |
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24.11.10
Leilão de Jardim
8.9.10
Bolhas
Olha a bolha d'água
no galho!
Olha o orvalho!
Olha a bolha de vinho
na rolha!
Olha a bolha!
Olha a bolha na mão
que trabalha!
Olha a bolha de sabão
na ponta da palha:
brilha, espalha
e se espalha.
Olha a bolha!
Olha a bolha
que molha
a mão do menino:
a bolha da chuva da calha!
(Cecília Meireles)
19.8.10
Tanta tinta
Ah! menina tonta,
toda suja de tinta
mal o sol desponta!
(Sentou-se na ponte,
muito desatenta...
E agora se espanta:
Quem é que a ponte pinta
com tanta tinta?...)
A ponte aponta
e se desaponta.
A tontinha tenta
limpar a tinta,
ponto por ponto
e pinta por pinta...
Ah! a menina tonta!
Não viu a tinta da ponte!
(Cecília Meireles)
toda suja de tinta
mal o sol desponta!
(Sentou-se na ponte,
muito desatenta...
E agora se espanta:
Quem é que a ponte pinta
com tanta tinta?...)
A ponte aponta
e se desaponta.
A tontinha tenta
limpar a tinta,
ponto por ponto
e pinta por pinta...
Ah! a menina tonta!
Não viu a tinta da ponte!
(Cecília Meireles)
2.8.10
Jogo de bola
A bela bola
rola:
a bela bola do Raul.
Bola amarela,
a da Arabela.
A do Raul,
azul.
Rola a amarela
e pula a azul.
A bola é mole,
é mole e rola.
A bola é bela,
é bela e pula.
É bela, rola e pula,
é mole, amarela, azul.
A de Raul é de Arabela,
e a de Arabela é de Raul.
(Cecília Meireles)
19.5.10
O cavalinho branco
À tarde, o cavalinho branco
está muito cansado:
mas há um pedacinho do campo
onde é sempre feriado.
O cavalo sacode a crina
loura e comprida
e nas verdes ervas atira
sua branca vida.
Seu relincho estremece as raízes
e ele ensina aos ventos
a alegria de sentir livre
seus movimentos.
Trabalhou todo o dia tanto!
desde a madrugada!
Descança emtre as flores, cavalinho branco,
de crina dourada!
Cecília Meireles
está muito cansado:
mas há um pedacinho do campo
onde é sempre feriado.
O cavalo sacode a crina
loura e comprida
e nas verdes ervas atira
sua branca vida.
Seu relincho estremece as raízes
e ele ensina aos ventos
a alegria de sentir livre
seus movimentos.
Trabalhou todo o dia tanto!
desde a madrugada!
Descança emtre as flores, cavalinho branco,
de crina dourada!
Cecília Meireles
17.5.10
Moda da menina trombuda
É a moda
da menina muda
da menina rombuda
que muda de modos e dá medo.
(A menina mimada!)
É a moda
da menina muda
que muda
de modos
e já não é trombuda.
(A menina amada!)
(Cecília Meireles)
da menina muda
da menina rombuda
que muda de modos e dá medo.
(A menina mimada!)
É a moda
da menina muda
que muda
de modos
e já não é trombuda.
(A menina amada!)
(Cecília Meireles)
13.5.10
Pescaria
Cesto de peixe no chão.
Cheio de peixe, o mar.
Cheiro de peixe pelo ar.
E peixes no chão.
Chora a espuma pela areia,
na maré cheia.
As mãos do mar vem e vão,
as mãos do mar pela areia
onde os peixes estão.
As mãos do mar vem e vão,
em vão.
Não chegarão
aos peixes do chão.
Por isso chora, na areia,
a espuma da maré cheia.
(Cecília Meireles)
Cheio de peixe, o mar.
Cheiro de peixe pelo ar.
E peixes no chão.
Chora a espuma pela areia,
na maré cheia.
As mãos do mar vem e vão,
as mãos do mar pela areia
onde os peixes estão.
As mãos do mar vem e vão,
em vão.
Não chegarão
aos peixes do chão.
Por isso chora, na areia,
a espuma da maré cheia.
(Cecília Meireles)
11.5.10
Colar de Carolina
Carolina
corre por entre as colunas
da colina.
O colar de Carolina
colore o colo de cal,
torna corada a menina.
E o sol, vendo aquela cor
do colar de Carolina,
põe coroas de coral
nas colunas da colina.
Cecília Meireles




